Como Precificar Procedimentos Odontológicos (Passo a Passo + Exemplo)
Aprenda a precificar procedimentos odontológicos com base em custo real, custo de cadeira e margem — com passo a passo, exemplo numérico e os erros que corroem o lucro.

TL;DR: precificar procedimento odontológico não é olhar a tabela do vizinho. É somar custo direto (material + laboratório), ratear o custo fixo por hora de cadeira, somar os custos variáveis (comissão e impostos) e só então aplicar a margem. Quem pula essa conta vende caro e lucra pouco — ou pior, vende barato e paga pra trabalhar.
A maioria das clínicas no Brasil precifica por imitação: copia a tabela de uma associação, olha o que o concorrente cobra e arredonda. O problema é que preço copiado esconde prejuízo. Dois consultórios na mesma rua têm custos de cadeira, comissão e desperdício de material completamente diferentes — então o mesmo preço pode ser lucro pra um e rombo pro outro.
Este guia mostra como chegar no preço a partir do seu custo. É a mesma lógica que usamos para o módulo de custo real da Densya, e funciona com caneta e papel também.
Por que precificar errado quebra a clínica
Quando o preço não cobre o custo real, o sintoma demora a aparecer. A agenda está cheia, o faturamento cresce, mas o caixa nunca sobra. Isso acontece porque procedimentos de alto volume e baixa margem (limpeza, restauração simples) financiam mal os de alto custo (prótese, implante) — e ninguém percebe porque a conta nunca foi feita procedimento a procedimento.
Precificar certo é o que separa faturar de lucrar. E começa entendendo os três blocos de custo.
Os 3 blocos que entram em todo preço
- Custo direto — o que você gasta especificamente naquele procedimento: material de consumo, peça de laboratório, descartáveis. É o mais fácil de medir e o mais subestimado (quase ninguém conta luva, anestésico e broca direito).
- Custo fixo rateado — aluguel, energia, salário da recepção, software, limpeza. Não muda se você atende 10 ou 40 pacientes. Para entrar no preço, ele precisa ser convertido em custo por hora de cadeira.
- Custos variáveis — comissão do dentista, impostos sobre o faturamento (Simples/ISS), taxa de cartão. Incidem percentualmente sobre cada venda.
Só depois desses três é que entra a margem de lucro.
Passo a passo
1. Calcule o custo da hora de cadeira
Some todo o custo fixo mensal da clínica e divida pelas horas de cadeira realmente produtivas no mês (não as horas que a clínica fica aberta — as horas em que há paciente sendo atendido).
Exemplo: R$ 30.000 de custo fixo ÷ 300 horas produtivas = R$ 100/hora de cadeira.
2. Calcule o custo direto do procedimento
Liste tudo que aquele procedimento consome. Para uma restauração, por exemplo: resina, ácido, adesivo, anestésico, descartáveis. Digamos R$ 35.
3. Aloque o tempo de cadeira
Se a restauração leva 1 hora, ela “consome” R$ 100 de custo fixo (do passo 1). Custo até aqui: R$ 35 (direto) + R$ 100 (cadeira) = R$ 135.
4. Some custos variáveis e margem
Sobre o preço final incidem comissão e impostos. Em vez de chutar, trabalhe de trás pra frente: defina a margem desejada e o percentual de custos variáveis, e divida.
Se você quer 20% de margem e tem ~30% de custos variáveis (comissão + imposto + cartão), o custo de R$ 135 precisa representar 50% do preço. Preço = R$ 135 ÷ 0,50 = R$ 270.
Pronto: R$ 270 não é um número copiado — é o preço que cobre tudo e ainda deixa 20%.
Erros comuns que corroem o lucro
- Esquecer o custo de cadeira. Material todo mundo conta; a hora de cadeira quase ninguém. É o erro nº1.
- Não separar comissão e imposto. Eles saem de cada procedimento. Se você calcula a comissão do dentista por fora do preço, a margem evapora.
- Tratar todo procedimento igual. Implante e profilaxia têm estruturas de custo opostas. Precifique por procedimento, não por “média da clínica”.
- Nunca revisar. Material e laboratório sobem. Tabela de preço de 2024 em 2026 é prejuízo silencioso. Revise a cada 6 meses.
Como o Densya ajuda
Fazer essa conta uma vez é tranquilo. Mantê-la atualizada para 80 procedimentos, com material e comissão mudando, é onde a planilha trava. O módulo de estoque com custo real e comissão automática da Densya calcula o custo direto a partir do consumo lançado e já aplica a comissão por procedimento, mostrando a margem real de cada atendimento — não a estimada.
Para a parte de remuneração da equipe, vale combinar este guia com a nossa calculadora de comissão de dentista e com o guia de gestão de clínica odontológica.
Precificar com base em custo real é a diferença entre uma agenda cheia que dá lucro e uma que só dá trabalho. Comece por um procedimento hoje e expanda.
Quer ver a margem real de cada procedimento sem montar planilha? Solicite acesso ao beta da Densya e teste com os dados da sua clínica.
FAQ
Perguntas frequentes sobre este tema
Posso usar a tabela do meu concorrente para precificar?
Não como base. O preço do concorrente reflete a estrutura de custo dele, não a sua. Use o mercado como referência de teto e piso, mas calcule o seu preço a partir do seu custo real por procedimento e da margem que você quer.
Qual margem de lucro é saudável para uma clínica odontológica?
Depende do mix de procedimentos e da estrutura, mas uma margem líquida de 15% a 25% é um alvo realista para clínicas pequenas e médias bem geridas. O importante é que cada procedimento cubra custo direto, rateio de custo fixo e ainda deixe margem.
Como entram comissão do dentista e impostos no preço?
Comissão e impostos são custos variáveis: incidem sobre cada procedimento realizado. Eles precisam estar dentro do cálculo antes da margem, senão você vende achando que lucra e na verdade está só girando dinheiro.
Sobre o autor
Conteúdo Densya
Time editorial da Densya. Artigos baseados em pesquisa com dentistas brasileiros, dados de mercado e experiência real de operação de clínica. Cada peça é revisada por dentista parceiro com CRO ativo antes da publicação. TODO: substituir por autor individual quando o dentista parceiro topar assinar.
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